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Engenharia de cardápio: o prato que mais vende não é o que te dá mais dinheiro

FastLeap15 de maio de 20267 min13 visualizações
Engenharia de cardápio: o prato que mais vende não é o que te dá mais dinheiro

Pergunta direta. Qual é o prato que mais vende no seu cardápio?

Você provavelmente sabe. Quase todo dono sabe.

Próxima pergunta. Qual é o prato que te dá mais dinheiro?

Aqui a maioria hesita. Porque vender mais e dar mais dinheiro não são a mesma coisa.

A matriz que muda tudo

A engenharia de cardápio é uma análise simples. Cruza duas dimensões.

Volume, a quantidade vendida no mês. Margem, o preço de venda menos o CMV, dividido pelo preço de venda.

Cada prato cai em uma das 4 caixas.

Estrelas: vende muito, margem alta. Mantém no topo do menu, destaca visualmente, treina garçom para sugerir.

Vacas leiteiras: vende muito, margem baixa. Frequentemente são pratos populares com insumo caro. Aqui a pergunta é: dá pra subir 5 reais sem afastar o cliente? Geralmente dá.

Quebra-cabeças: vende pouco, margem alta. São os pratos premium que poucos pedem. Geralmente faltam destaque visual no cardápio ou treino do salão. Resgatáveis.

Cachorros: vende pouco, margem baixa. Esses saem do cardápio. Ocupam espaço sem retornar.

Um exemplo prático

Suponha 3 pratos no seu cardápio italiano.

Lasagna alla Bolognese: 80 reais, CMV de 22 reais, margem 72,5 por cento, vende 120 unidades por mês.

Filetto al Tartufo: 130 reais, CMV de 65 reais, margem 50 por cento, vende 22 por mês.

Ossobuco alla Milanese: 160 reais, CMV de 48 reais, margem 70 por cento, vende 18 por mês.

A Lasagna parece a estrela. Mas faça a conta de receita líquida (preço menos CMV vezes volume):

Lasagna: 58 x 120 = 6.960 reais. Filetto: 65 x 22 = 1.430 reais. Ossobuco: 112 x 18 = 2.016 reais.

A Lasagna domina. Mas note: Ossobuco e Filetto juntos fazem só metade da receita da Lasagna, com 5 vezes menos volume. Se você conseguir dobrar o volume do Ossobuco (de 18 pra 36) com melhor posicionamento no cardápio, vira 4.032 reais. Mais do que metade da Lasagna sozinho.

É aí que a engenharia de cardápio vira lucro.

Como executar

Primeiro, levante o dado. Por 30 dias, registre quantos pratos saíram, preço e CMV de cada. Se não tem sistema, planilha simples resolve.

Segundo, monte a matriz. Classifique cada prato. Estrelas, vacas, quebra-cabeças, cachorros.

Terceiro, atue. Mexa no design do cardápio, no treino do salão, na precificação dos itens estratégicos. Tire os cachorros.

Quarto, repita. A cada 90 dias, reanalise. Tendência muda. Cliente muda.

A maioria dos restaurantes nunca olha o cardápio assim. Operam no achismo de quem está acostumado ao menu. Operam errado.

A diferença do dono que olha o número

Cardápio é a ferramenta de vendas mais subutilizada de um restaurante. Marketing externo só vale quando o cardápio interno está afinado.

A Casa di Lucchetta, a Florisbela e O Escandinavo todas operam com essa lógica. Cardápio é uma das primeiras coisas que olhamos na FastLeap quando começa um trabalho novo.

Se você nunca fez essa análise, talvez seja o exercício mais lucrativo do trimestre.

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